30/04/2015

Ed Motta

Nunca havia reparado muito no Ed Motta até esta recente polêmica sobre o comportamento dos brasileiros em seus shows na Europa.
Então resolvi conhecer melhor seu trabalho e realmente é um músico acima da média.
Assista!

28/04/2015

Entrevista com Nancy Pearcy - Parte 2

Casamento entre pessoas do mesmo sexo é desrespeitoso ao corpo humano, diz a Filósofa Nancy Pearcey.


Na primeira parte de sua entrevista ao Christian Post (leia aqui), Pearcey disse que escreveu o livro "Finding Truth", principalmente, com a preocupação de que os jovens cristãos não estão recebendo as ferramentas de que precisam para lidar com questões difíceis e, quando eles não têm essas ferramentas, são mais propensos a abandonar a fé.

Nesta segunda parte da entrevista, Pearcey foi convidada para demonstrar como aplicar esses princípios, abordando o tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

CP: Você diz que os cinco princípios que você aborda não são apenas para se comunicar com aqueles que estão fora da Igreja, mas dentro da Igreja, bem como porque a Igreja também pode ser influenciada por ideias não-bíblicas. Você pode ilustrar falando sobre a atual controvérsia do casamento homossexual? Como você usaria os princípios para pensar sobre as igrejas e os cristãos que acreditam que o casamento é também para casais do mesmo sexo?

Pearcey: Os secularistas afirmam que sua visão do casamento homossexual é uma expressão de respeito. Mas, surpreendentemente, a visão subjacente é realmente um desrespeito ao próprio corpo humano.

Em uma idade mais precoce, a natureza foi reconhecida como a criação de Deus, os propósitos de Deus expressos. Então, como nossos corpos são parte da natureza, o corpo humano também tem um propósito. A correspondência biológica entre macho e fêmea na reprodução é parte da criação original de Deus, sobre a qual Ele afirma ser "muito bom", algo plenamente bom, o que significa que nos fornece um ponto de referência também para a moralidade.

O que mudou nessa visão de propósitos da natureza? A Teoria da Evolução de Darwin, que se propôs expressamente a eliminar o conceito de finalidade ou de design na natureza. Esta visão não mudou apenas a maneira de enxergar a biologia, ela também causou uma mudança monumental no pensamento moral. Porque se a natureza já não trazia sinais dos bons propósitos de Deus, então ela também já não fornece uma base para as verdades morais. A natureza agora  era apenas uma máquina, movimentada por forças cegas e materiais.

O corpo humano também foi reduzida a um mecanismo moralmente neutro. Nossa identidade sexual já não fornece pistas sobre como estávamos destinados a viver. E, se a natureza nada revela sobre a vontade de Deus, então a natureza tornou-se um reino moralmente neutro onde os seres humanos pode impor sua vontade e preferências.

Este fundo é crucial para a compreensão do impacto da homossexualidade. Pense nisso desta maneira: Biologicamente e fisiologicamente, os machos e as fêmeas são claramente diferentes uns dos outros. É assim que a anatomia sexual e reprodutiva humana é projetado. Como conseqüência, engajar-se na prática homossexual requer que os indivíduos contradigam a sua própria anatomia, ignorando o projeto óbvio de sua fisiologia, para assim agir em oposição à sua própria biologia.

A implicação é que a biologia não importa.

Precisamos ajudar as pessoas a verem que esta é uma visão profundamente desrespeitosa de seu próprio corpo. Ela trata o corpo como não tendo qualquer propósito ou significado intrínseco, não dando nenhuma pista de quem somos como pessoas inteiras. Assim, a homossexualidade tem um efeito de auto-negação alienante e a fragmentação da personalidade humana.

Por outro lado, a visão bíblica respeita a nossa identidade biológica e, portanto, nos leva a uma integração holística da personalidade. Afirma a nossa integridade como pessoas encarnadas. A raiz da palavra integridade significa integrais, integradas e unificadas. Ou seja, nossas mentes e emoções em sintonia com o nosso corpo físico.

A correspondência biológica entre homem e mulher não é um acidente cósmico em um universo sem sentido. Essa diversidade primordial é parte da criação original que Deus que a afirma como "muito bom".

"Findign Truth" demonstra como a cosmovisão cristã não é verdade apenas para a realidade, mas que também concede um patrimônio superior da dignidade da pessoa humana, maior do que qualquer alternativa secular.

Entrevista original em:

Entrevista com Nancy Pearcy - Parte 1

Jovens cristãos falhando espiritualmente no mundo real porque grupos de jovens dependem demais de picos emocionais, diz Nancy Pearcey


(Tradução do texto original por Nielsen Tomazini)

A principal razão porque as pessoas abandonam o cristianismo é por questões intelectuais não respondidas. Mas muitas igrejas tratam a fé como uma experiência majoritariamente emocional, argumentou a filósofa Nancy Pearcey em entrevista ao The Christian Post. Seu novo livro, “Finding Truth” (Encontrando a Verdade): 5 Princípios para desmascarar o ateísmo, secularismo, e outros Substitutos de Deus”, oferece cinco estratégias práticas para ajudar os cristãos a pensarem sobre as questões que desafiam sua fé.

Pearcey é uma autora best-seller cujos trabalhos anteriores incluem Verdade Absoluta: Libertando o Cristianismo de seu cativeiro Cultural, e, em coautoria com Charles Colson e Harold Fickett, Como Agora Devemos Viver?

Seguindo o exemplo do apóstolo Paulo no primeiro capítulo de sua carta aos Romanos, Finding Truth fornece aos leitores uma progressão de cinco princípios para ajudá-los a identificar as ideias antibíblicas e articular uma resposta a essas ideias. Estes princípios são úteis tanto para falar com os não cristãos e para abordar ideias antibíblicas que se infiltraram na Igreja. Cada um dos capítulos ­chave lidam com um dos cinco princípios, e existe uma guia de estudo na parte de trás do livro.

Esses princípios são:
1. Identificar o ídolo.
2. Identificar o reducionismo do ídolo.
3. Teste o ídolo: Será que contradizem o que sabemos sobre o mundo?
4. Teste o ídolo: Será que ela se contradiz?
5. Substitua o ídolo: Defenda o cristianismo.

Em sua entrevista ao Christian Post (CP), Pearcey disse que o livro foi motivado, em particular, de uma preocupação para os jovens cristãos. Grupos de jovens da Igreja são muitas vezes bons em estabelecer um compromisso emocional, mas estão falhando com jovens cristãos intelectualmente. Os pais e os líderes da igreja precisam incentivar seus jovens a lidar com questões difíceis e ajudá-los a aprender a pensar por essas questões, ela argumentou, ou então eles vão ficar despreparado quando seus pontos de vista forem desafiados.

Christian Post: Por que você quis escrever este livro?
Pearcey: “Finding Truth” desafia a mentalidade de "Não pense, apenas acredite", seja na Igreja, na sala de aula, nos meios de comunicação, ou na política. Estudos mostram que a principal razão pela qual as pessoas abandonam sua criação cristã é por causa de questões intelectuais não respondidas. Os pesquisadores foram surpreendidos, pois eles esperavam ouvir histórias de problemas de relacionamento, com as pessoas dizendo que tinham sido machucadas ou emocionalmente feridas. Mas a razão dada na maioria das vezes por aqueles que se “desconverteram” é que eles não conseguiam obter respostas para suas dúvidas e perguntas.
Essa é a minha própria história também. Criada em um lar luterano, comecei a fazer perguntas na escola: Como podemos saber que o cristianismo é verdadeiro? É apenas uma muleta emocional? Nenhum dos adultos na minha convivência deu qualquer resposta. Perguntei a um professor da faculdade porque ele era um cristão, mas tudo o que ele disse foi: "Funciona para mim." Um reitor do seminário disse: "Não se preocupe, todos nós temos dúvidas, às vezes", como se eu estivesse apenas passando por uma fase psicológica.

Finalmente cheguei à conclusão de que o cristianismo não deve ter quaisquer respostas substanciais, então decidi colocá-lo de lado e embarcar em uma busca pela verdade. Depois de vários anos como uma agnóstica, eu finalmente tropecei no L'Abri, a obra de Francis e Edith Schaeffer na Suíça. Lá, pela primeira vez, eu conheci pessoas que ofereceram razões e argumentos que sustentam a verdade do cristianismo. Minha própria experiência me convence de que é importante levar as perguntas das pessoas a sério. Escrevi “Finding Truth” para ajudar outras pessoas que têm perguntas a encontrem respostas sólidas.

CP: Você teve um público específico em mente?
Pearcey: Estou especialmente preocupado com uma geração de jovens que não estão sendo preparados para os desafios de crescer em uma cultura secularizada. Recentemente, uma mãe me disse, com lágrimas nos olhos, que seu filho havia perdido a fé em uma universidade estadual. O adolescente era um estudante de psicologia e, desde Freud, a maioria das teorias psicológicas têm tratado o cristianismo como um sintoma de neurose, uma regressão infantil, uma projeção de uma figura paterna imaginária no céu. O estudante veio de uma família amorosa e forte na igreja, mas ele não estava preparado para a enxurrada de teorias e críticas que estava aprendendo na sala de aula. Em um semestre, ele havia abandonado sua educação cristã.

É aí que “Finding Truth” pode ajudar. Dispõe de uma estratégia de 5 partes derivadas de Romanos 1, que capacita as pessoas a pensarem criticamente sobre teorias seculares em qualquer área disciplinar. Paulo afirma que há um corpo de conhecimento que dá provas do mundo real sobre Deus, disponível para todos em todas as culturas e em todos os períodos da história ­ o que chamamos de revelação geral ­ que fornece uma maneira de testar visões de mundo. Por exemplo, todos nós temos consciência direta da natureza humana.

Porque os seres humanos são capazes de pensar, a primeira causa que nos criou deve ter uma mente. Porque os seres humanos são capazes de escolher, a primeira causa que nos criou deve ter uma vontade. Como um filósofo resume este conceito: porque um ser humano é uma pessoa e não uma coisa, a fonte da vida humana deve ser também um Alguém, não as forças cegas e automáticas da natureza, como nos é dito por filosofias como o naturalismo ou materialismo.

CP: Você escreve sobre as falhas da Igreja para ajudar os jovens a buscar respostas para perguntas difíceis. Qual a nota que você dá a Igreja americana sobre o tema da apologética?
Pearcey: A boa notícia é que nos últimos anos, os recursos de apologética se tornaram muito mais disponíveis. A má notícia é que muitas igrejas continuam a ignorar esses recursos, tratando o cristianismo como se fosse principalmente emocional.

Grupos de jovens raramente incentivam os jovens a lidar com perguntas difíceis. Em vez disso, o objetivo parece ser o de arquitetar eventos que provocam compromisso emocional. Mas intensidade emocional não é suficiente para bloquear perguntas. No mínimo isto leva os adolescentes a redefinirem o cristianismo em termos puramente emocionais ­ o que os deixa vulneráveis quando finalmente enfrentarem suas perguntas.

“Finding Truth” começa com a história de uma apresentação que fui convidada a dar no Capitólio, em Washington, DC. Mais tarde um chefe de pessoal do Congresso se levantou e anunciou a todos lá, "Eu perdi minha fé em uma faculdade evangélica". Como isso aconteceu? O funcionário explicou que seus professores ensinaram as teorias prevalecentes em seu campo, mas essas teorias são tipicamente seculares e às vezes explicitamente anticristã. Eles fizeram pouco ou nada para oferecer uma contra interpretação bíblica. O jovem até se reuniu com seus professores em particular, perguntando: "Como você se relaciona com as suas convicções teológicas para o que você ensina em sala de aula?". Ninguém pode lhe dar uma resposta.

Uma pesquisa da Coalizão de Colégios e Universidades Cristãs de 2007 constatou que apenas cerca de metade do corpo docente disse que eles poderiam dar uma perspectiva bíblica sobre o campo que ensinam. Então, uma característica única de “Finding Truth” é que ele oferece uma estratégia que pode ser aplicada em todos os campos, em cada profissão e na vida cotidiana também. Um dos meus alunos, escreveu: "O método da crítica que você ensina neste livro tem sido incrivelmente útil para mim, não apenas em minhas outras aulas, mas também na minha vida, ao ler livros e assistir filmes."

CP: Às vezes, em nossa cultura as pessoas crescem pensando que eles são cristãos apenas porque seus pais são cristãos e vivem em uma comunidade de maioria cristãos. Na Conferência Nacional de Apologética do Seminário Evangélico do Sul, em janeiro de 2015, Josh McDowell disse que os pais cristãos podem ajudar os filhos a desenvolver suas próprias convicções não respondendo às suas perguntas, mas respondendo a essas perguntas com mais perguntas. O que você acha desta sugestão?
Pearcey: A maioria dos adultos precisa aprender a fazer mais perguntas e ouvir mais. Mas isso não deve tornar-se uma maneira de evitar fazer o trabalho cuidadoso de encontrar respostas.
Quando fui para o L'Abri como uma agnóstica, eu fiquei impressionada com a forma como a equipe usou as minhas perguntas para me apresentar a um mundo de ideias mais vasto. Foi emocionante para descobrir que o cristianismo não se limita a uma esfera "religiosa" privada, mas na verdade dá respostas superiores às questões fundamentais que todo mundo enfrenta.

“Finding Truth” cita vários pensadores seculares que admitem que o cristianismo oferece respostas precisamente onde a sua própria visão de mundo falha. O falecido filósofo Richard Rorty foi reverenciado como o "filósofo da democracia", no entanto, ele admitiu que a sua própria visão de mundo não deu uma base para a democracia. Ele era um comprometido ateu e darwinista, mas segundo a luta darwiniana pela existência, o forte prevalecerá enquanto os mais fracos são deixados para trás. Então, claramente, a evolução não é a fonte dos direitos humanos universais. Em vez disso, Rorty reconheceu que este conceito veio da reivindicação cristã de que “os seres humanos são feitos à imagem de Deus." Assim, ele simplesmente pegou emprestado o conceito de direitos universais do cristianismo e chamou a si mesmo de um ateu "aproveitador, apropriador" (no original, free­loading).

Não é de admirar que Paulo, vivendo no meio do poderoso Império Romano, proclamou que ele não “se envergonhava" do evangelho (Rom. 1:16). O cristianismo é tão chamativo e tão atraente que adeptos de outras cosmovisões sempre se aproveitam das partes que mais gostam.


Leia a entrevista original em: