Algum tempo atrás eu tive um papo muito interessante com um
amigo agnóstico, o assunto em questão foi a nova versão da série Cosmos e a fé
em Deus.
Em determinado momento meu amigo me perguntou se este tipo
de programa não abalava minha fé, não me fazia ao menos questionar o que
acredito. Respondi que esta fase já havia acontecido entre o fim da adolescência
e o início da fase adulta, quando eu ainda dava crédito a teorias e teorias que
eram mais belas como equações matemáticas do que como explicação concreta,
funcionando mais como exercício de imaginação do que como resposta de fato.
Hoje, em cada nova descoberta, eu só consigo ver a assinatura perfeita e
inquestionável do seu Criador.
O fato é que muitos debates são feitos baseados somente em
pressupostos teóricos, uma boa dose de empáfia e muita fé apenas na capacidade
humana, como se hoje estivéssemos vivendo uma era em que todos os mistérios
foram solucionados e a ciência possui a resposta para tudo. Falam desde Panspermia
Cósmica até Teoria dos Multiversos com a certeza e confiança de quem chegou à
resposta final, comprovada, empírica e inquestionável, quando na verdade ainda estão
caminhando em direções pressupostas, no momento com mais carga filosófica do
que dados comprovados, massageando o ego naturalista/humanista e, como consequência,
gerando audiência de várias formas para os cientistas celebridades e suas
instituições. Coloque-se aí a rebeldia contra Deus que todos carregamos em
diferentes graus e temos o cenário pronto para a engrenagem girar.
E a série Cosmos é um exemplo acabado disso.
Visualmente perfeita, ela impressiona em um primeiro momento
por sua beleza, mas possui a mesma profundidade de uma Superinteressante ou um
programa do Discovery, exibindo desde informações descaradamente erradas até
apresentação de teorias controversas como verdade absoluta. No fim ela cumpre
bem seu papel de entreter, mas não pode ser levada a sério para quem, como eu,
deseja ao menos ser bem informado, mesmo não fazendo parte da comunidade
científica. Em suma a série entrega aquilo que deixa as pessoas à vontade, uma “realidade”
onde Deus está morto e nada há além do que podemos estudar. Carpe Diem.
Já para mim, o que impressiona é o fato de nosso Universo ser
tão perfeitamente ajustado em tantas variáveis cósmicas e subatômicas que é praticamente
impossível que ele sequer exista. Se analisarmos então o ajuste fino que dá
condições para que um planeta abrigue vida e que esta vida possa ser tão
diversa quanto a que presenciamos na Terra, só é possível compreender que
vivemos em um milagre absurdamente bem planejado.
Nós compreendemos intrinsecamente, lá em nosso âmago, que
algo nos deu condições de estarmos aqui e, mais ainda, podermos estudar todas
estas belezas através da Ciência. Um universo coeso, perfeitamente ajustado e
observável, com diversos Padrões e Constantes. Você pode inclusive nomear estes
fatos que nos trouxeram até aqui e nos sustentam como Acaso, Mãe Natureza,
Forças Cósmicas ou como desejar.
Pra mim sempre será Pai.
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