01/04/2016

Os Deuses Estranhos da Ciência Moderna

Por Adauto Lourenço

Certa vez fui confrontado por um professor de filosofia de uma universidade. Eu havia acabado de dar uma palestra sobre o criacionismo e, para aquele homem brilhante e tão cheio do conhecimento do presente século, era inadmissível que alguém pudesse ser um cientista sério e honesto e crer em uma “ideia tão desprovida de embasamento científico como a da existência de Deus”. Ele foi direto ao ponto. “O senhor não tem como provar a existência de Deus. Vá a um laboratório e prove que Deus existe!”, disse ele. “O senhor tem toda a razão”, respondi ao professor. Depois de uma breve pausa, continuei: “Mas o senhor também não tem como ir a um laboratório e provar que Deus não existe.

Tudo é uma questão de crer.

Eu creio que Deus existe, e o senhor crê que Ele não existe”. Naquele momento, havia sido estabelecida uma base comum para um diálogo. A confrontação havia sido reduzida a um denominador comum: nós dois éramos “crentes” – eu, crendo que Deus existe; e ele, crendo que Deus não existe. Nós dois críamos e, baseados nas nossas “crenças”, havíamos construído, cada um, uma cosmovisão diferente. Agora não se tratava mais de uma discussão sobre a origem de todas as coisas, simplesmente, e sim do motivo pelo qual cada um de nós havia optado por crer ou não na existência de Deus.

Esta e muitas outras experiências semelhantes têm me levado a considerar a realidade espiritual e científica que vivemos neste início de milênio. Somos ensinados (para não dizer doutrinados) por uma ciência e por um conhecimento científico que nega a existência de Deus! No entanto, na sua base, o ensino científico atual não passa de uma crença. A inexistência de Deus não pode ser provada pela ciência: temos de crer que Deus não existe! Muitos de nós, homens envolvidos com a ciência e que creem no Deus da Bíblia, temos visto um número cada vez maior de pessoas que professam o cristianismo e que, sem ao menos refletir sobre o posicionamento ateu da ciência, se prostram e adoram os estranhos deuses que a ciência tem produzido. Tais pessoas não consideram que a proposta da criação do mundo por um Deus pessoal e transcendente é perfeitamente científica, válida e relevante.

 Os deuses do absurdo e o Deus racional

 Os primeiros onze capítulos do livro de Gênesis têm sido tratados como um conto mitológico e não como história. O primeiro capítulo, principalmente, tem sido ridicularizado por conter uma linguagem considerada por muitos como simplista, pela maneira como é relatada a seqüência de eventos sobrenaturais de Deus, através dos quais o universo veio a existir. O que se diz é que qualquer proposição científica, por mais simples que seja, ofereceria uma explicação mais racional sobre a origem do mundo. Portanto, gostaria que comparássemos não a proposição científica mais simples, e sim a mais complexa já apresentada até o momento sobre a origem do tempo, do espaço, da energia, da matéria,… do universo, a teoria do big bang.

Começaríamos procurando o que seria a resposta a esta primeira pergunta: teria Deus criado todas as coisas do nada (teoria da criação exnihilo), ou todo o universo teria surgido de uma explosão espontânea de um “ovo cósmico” que não passava do tamanho de uma bola de tênis (teoria do Big Bang)? Uma segunda pergunta (conforme a ideia científica presente) serviria para validar o questionamento da existência do Criador e do relato de Gênesis. Esta pergunta serviria para comparar o relato de Gênesis 1 com a evidência científica: teria Deus criado primeiro a luz (dia um) para depois (dia quatro) criar os corpos celestes como o Sol, a Lua, as estrelas, as galáxias…? No que diz respeito à segunda pergunta, a ciência afirma categoricamente que a ordem está correta. Primeiro veio a luz (energia) depois os corpos celestes (matéria). Caso a Bíblia não concordasse neste ponto com a ciência, muitos simplesmente descartariam a teoria do criacionismo, sem ao menos considerar que a ciência já esteve errada inúmeras vezes (até mesmo neste caso da luz ter aparecido antes dos corpos celestes).

Mas, e quanto à primeira pergunta? Teria a ciência conseguido provar uma seqüência de eventos “naturais” e “espontâneos” que teriam produzido o universo que hoje vemos? A resposta é negativa. As leis da física que conhecemos hoje não se aplicam ao modelo do big bang quanto ao início do universo. E se as mesmas pudessem ser aplicadas, a ciência não sabe quais seriam as condições iniciais para que essas leis produzissem o universo que hoje conhecemos. E, então, perguntamos: “Quais leis regiam esses eventos cruciais do aparecimento do universo ou quais eram as condições iniciais?” A única resposta que obtemos é: “São leis e condições iniciais ainda desconhecidas”. Mas, se elas são desconhecidas, como aceitá-las? Outra vez a única resposta que obtemos é: crer no que os cientistas estão propondo. Mas crer não é um elemento “religioso”? Sem dúvida. Todos concordamos que crença e fé são elementos religiosos. Como podem, então, as duas teorias, a teoria da criação exnihilo e a teoria dobig bang, serem tratadas tão tendenciosamente, a tal ponto que a primeira é considerada religião e a segunda, ciência, quando as duas possuem um mesmo elemento de base: aceitar fatos que não podem ser explicados ou demonstrados cientificamente? Em outras palavras, as duas teorias exigem fé!

Neste ponto, a ciência moderna nos apresenta os deuses do absurdo, onde homens mortais, com conhecimento limitado, procuram fazer adeptos às suas crenças. Tomando o conhecimento que possuem das ciências como validação de uma pseudo-autoridade, tais homens procuram remover qualquer traço da necessidade de um Criador que tenha por sua vontade e decreto criado o universo. Aceita-se o absurdo em vez do lógico. E isto é feito apelando para aquilo que eles mesmos condenam: a fé. Seja observado que muito se tem falado sobre a ciência ser racional, ser lógica. E é verdade.

A proposição da existência de um Deus criador do universo é perfeitamente racional, lógica, relevante e também científica. Por que não incluí-la, então, no pensamento científico atual?

Por outro lado, voltando ao big bang e ao “ovo cósmico”, apenas como um exercício intelectual, pense na seguinte proposição: coloque tudo o que existe na sua casa dentro de uma bola de tênis… Coloque tudo o que existe no planeta Terra, incluindo o próprio planeta, dentro da mesma bola tênis… Coloque o sistema solar inteiro, com o sol e todos os planetas e luas, dentro da mesma bola de tênis… Coloque os, aproximadamente, duzentos bilhões de estrelas da nossa galáxia dentro da mesma bola de tênis… Coloque os dez bilhões de galáxias visíveis, com as suas trilhões de trilhões de trilhões de estrelas dentro da mesma bola de tênis! Perfeitamente racional e lógico? É exatamente isto que nos é passado através da teoria do big bang e dos bilhões de anos de existência do universo. Aceitamos os deuses do absurdo em lugar do Criador.

Pensemos um pouco mais nas propostas da teoria do big bang.

O que havia antes do big bang? Qual evento ou o que desencadeou a explosão (chamada de “big bang”) do “ovo cósmico”? (Causa e efeito precisam fazer parte deste processo. Se explodiu, algo explodiu; e, se houve uma explosão, alguma coisa a iniciou.) Será que o universo presente não faz parte de uma sucessão cíclica de eventos (teoria dos universos oscilatórios), big bang – início, big crunch – final,big bang – início, big crunch – final, e assim por diante? Como saber se estes outros ciclos existiram, sendo que os mesmos não deixam nenhuma evidência da sua existência para o ciclo seguinte (segundo os criadores desta teoria)? Os cientistas não conhecem as respostas para estas e outras perguntas. Elas não se encontram no campo científico, nem no campo filosófico, e sim no campo da fé. Assim, os deuses do absurdo continuam sendo criados pelas mentes brilhantes… Deuses esses que não criaram os céus e a terra, pois não possuem poder para fazê-lo (Jeremias 10.1-16). Contudo, temos no primeiro capítulo das Escrituras não somente o relato de como o universo chegou a existência, mas também da “metodologia de processo” utilizada pelo Criador. Diferente da proposta de “ovo cósmico” dobig bang, este capítulo trata de uma criação planejada e organizada pela mente brilhante de Deus. Dias um, dois e três foram dias de criação preparatória. Dias quatro, cinco e seis foram dias de criação para preenchimento. Por exemplo. No dia dois, Deus fez separação das águas, criando o firmamento. No dia cinco, Deus criou as aves para o firmamento que Ele havia criado no dia dois, bem como os enxames de seres viventes para povoar as águas separadas, também no dia dois. Através da sucessão de eventos da criação, Deus também mostrou a utilização de um “controle de qualidade” aplicado ao seu processo de criação. Uma avaliação foi feita no final de cada passo do processo (cada dia foi avaliado… “e viu Deus que era bom”; observe que apenas o dia dois não recebeu avaliação individual). Outra avaliação foi feita no final do processo todo (Gênesis 1.31).

Ordem, propósito, avaliação, capacidade e planejamento: tudo está dentro da teoria criacionista.

Quero mais uma vez deixar bem claro que a origem do universo, quer seja explicada pela teoria da criação, quer seja pela do big bang, sempre será tratada como um evento sobrenatural. A própria Bíblia menciona esta característica em Hebreus 11.3. A questão não é se as duas teorias são científicas: elas são! Mas sim o por quê alguém aceita o big bang e rejeita o criacionismo. Em termos científicos, por que alguém acredita na cosmologia2 que abraçou? Em termos teológicos, por que alguém acredita nos deuses do absurdo e não no Deus da Bíblia?

Os deuses impessoais e o Deus pessoal

A própria razão de estarmos vivos e termos a capacidade de considerar estas questões são indicações de uma realidade que transcende a nossa experiência do cotidiano. Como explicar que uma série de eventos aleatórios e impessoais, movidos por leis científicas desconhecidas, trouxeram a existência seres pessoais e inteligentes que questionam a sua origem?
Como o inanimado se tornou vivo?
Como o impessoal se tornou pessoal?
Aqui também uma outra série de informações chega até nós com aparência de um veredicto científico onde os deuses impessoais são apresentados. A evolução biológica natural (conhecida cientificamente como transformismo) aparece como a resposta científica e racional para a origem da vida. Nela, elementos químicos básicos se transformaram espontaneamente em compostos orgânicos… que espontaneamente produziram seres vivos de extrema simplicidade… os quais espontaneamente e naturalmente aumentaram em grau de complexidade… até chegar ao homem.
Não existe a necessidade de um Criador pessoal, apenas de um processo criador “natural” e “espontâneo”.

No entanto, poucos sabem que toda esta teoria é de caráter especulativo, baseada na interpretação dos fósseis. Fósseis são animais e plantas que morreram por processos não naturais (se fossem naturais, teriam se decomposto) e cujos vestígios foram incorporados ao da rocha onde são encontrados (isto é, quando o animal ou a planta morreu a rocha ainda era “lama”). Este tipo específico de fóssil aqui mencionado é o fóssil encontrado em rochas sedimentares. Existem outros tipos de fósseis que são encontrados no gelo, no âmbar, nas turfeiras e ainda alguns são vulcânicos. Pelo fato dos fósseis serem encontrados em camadas que aparecem na crosta da terra, deu-se o nome de “coluna geológica” a estas camadas alinhadas verticalmente. Nesta coluna geológica encontra-se o, então chamado, registro fóssil. A coluna geológica (com os fósseis nela contidos) é tomada como base fundamental para demonstrar a seqüência de transformações pelas quais os seres vivos passaram desde um passado primevo até o presente. Tomando-se os fósseis encontrados nessas sucessivas camadas, das mais profundas até as mais superficiais, pode-se reconstruir a história do desenvolvimento dos seres vivos na terra, afirmam os evolucionistas.

No entanto, isto é altamente interpretativo. A coluna geológica não aparece completa em nenhum lugar do planeta; e onde algumas das camadas aparecem, os fósseis nem sempre estão na ordem proposta pela teoria da evolução. Não somente isto; o próprio aparecimento das camadas, que segundo a teoria da evolução está relacionado aos processos de erosão e de deposição de sedimentos, pode ser explicado pela hidrodinâmica de um dilúvio universal. Nas águas de um dilúvio global, uma grande quantidade de sedimentos de densidades diferentes nelas suspensos e sob a ação direta do ciclo das marés formaria as mesmas camadas da coluna geológica pelo processo conhecido por “liquefação”. Neste ponto, o criacionismo e a evolução divergem diametralmente. Para os evolucionistas a coluna geológica tem um caráter cronológico. Para os criacionistas a mesma coluna tem um caráter classificatório.

Para o evolucionista isto implica em milhões de anos; para o criacionista em centenas de dias.

Os fósseis são os mesmos, as camadas são as mesmas, mas a interpretação é diferente. Ainda que os fósseis pudessem dar o respaldo necessário para a teoria da evolução com os seus deuses impessoais, como ainda explicar os processos que produziram a complexidade da vida? Tal complexidade é algo que vai muito além da nossa compreensão. Como matéria não orgânica poderia produzir algo tão complexo como o DNA (ácido desoxirribonucléico). Como seria isto possível? Como partículas atômicas (irracionais) saberiam qual seria a melhor combinação? Como processos altamente aleatórios escolheriam o caminho da vida e para a vida? As leis que regem os princípios da vida são tão precisas que apontam para um Criador pessoal e não para uma seqüência de processos aleatórios espontâneos, totalmente impessoais.

A existência de um Deus pessoal que criou todas as coisas, incluindo os seres vivos, implica num padrão moral que toda criatura pessoal e inteligente, criada por Ele, deve se submeter. Ao passo que os deuses impessoais da ciência moderna (os processos naturais e espontâneos) nada têm a dizer sobre moral ou qualquer outro assunto relacionado com o ser humano, pois segundo a evolução somos apenas frutos do acaso. Deixe-me ilustrar, através de um fato, como a teoria da evolução nos leva a crer nesses deuses impessoais.

Certa vez, ao sair de uma palestra, fui cercado por um grupo de alunos do departamento de biologia daquela universidade. Todos fizeram praticamente a mesma pergunta: “O senhor não crê que a experiência de Stanley Miller, o qual em 1953 produziu aminoácidos (matéria orgânica) de elementos inorgânicos (amônia, metano, hidrogênio molecular e vapor d’água), mostra que processos naturais podem acontecer?” “Não”, disse a eles. E continuei: “Na experiência de Miller, os processos não foram nem naturais nem espontâneos. A experiência que produziu tais aminoácidos foi projetada por uma mente inteligente e pessoal que sabia exatamente o que estava procurando. Isto não é espontâneo. Não somente isto. Miller já conhecia a composição química dos aminoácidos. Ele propôs que o chamado "caldo primordial" continha os elementos inorgânicos que foram utilizados na experiência. Não havia, como ainda não há, nenhuma prova ou evidência de que o que Miller chamou de "caldo primordial " seja o que havia na suposta atmosfera ou no suposto oceano primitivo. Isto não é prova a favor da evolução. A experiência do Dr. Miller mostra que vida inteligente consegue produzir material orgânico de matéria inorgânica. Para a evolução esta experiência não ajuda em nada. O problema do aparecimento da vida, segundo a evolução, continua sendo um mistério. Como já foi dito por Randy Wysong: "…a evolução significa a formação de organismos desconhecidos, a partir de produtos químicos desconhecidos, numa atmosfera ou oceano de composição desconhecida, sob condições desconhecidas, cujos organismos subiram então uma escada evolucionista desconhecida, mediante um processodesconhecido, deixando uma evidência desconhecida. " O que se pede é para crer. Onde estão as evidências?”, perguntei aos alunos.

Aqueles alunos, bem como milhões de outros, têm sido levados a crer nos deuses impessoais da ciência moderna, aceitando como evidente aquilo que não é provado. A origem da vida, quer seja ex-plicada pela teoria da criação, quer seja pela evolução, sempre será tratada como um evento sobrenatural. A questão mais uma vez é: por que alguém aceita a evolução e rejeita o criacionismo? Em termos científicos, por que alguém acredita na cosmogonia que abraçou? Em termos teológicos, por que alguém aceita os deuses impessoais e não o Deus pessoal da Bíblia?

Os deuses humanos e o Deus transcendente

No começo da década de noventa, os meus estudos me levaram até o Laboratório Nacional de Oak Ridge, nos Estados Unidos. Um dos projetos que participei ali foi o do mapeamento tridimensional do DNA. Havia um grande interesse neste projeto, pois o mesmo fora criado para desenvolver técnicas que auxiliariam no mapeamento genético humano através do DNA (hoje este mapeamento é conhecido como Projeto Genoma Humano). Ao estudar aquele pequeno fila-mento encontrado no núcleo das células dos seres vivos, comecei a imaginar a dimensão daquilo que estava à minha frente. Um único filamento de DNA humano chega a ter 2,10 metros de comprimento. Este fila-mento é invisível a olho nu, por ser ele extremamente fino. O nosso corpo possui cerca de 100 trilhões de células (número estimado pelos cientistas). Multiplicando os 2,10 metros (comprimento do DNA existente em cada célula) pelo número de células do nosso corpo (100 trilhões), foi possível obter um número que seria equivalente a percorrer a distância entre a Terra e a Lua aproximadamente 550.000 vezes. Em outras palavras, se alguém pudesse esticar o DNA de cada célula do corpo humano e colocá-los todos ponta a ponta, teríamos um fio finíssimo com cerca de 21 milhões de quilômetros! Tudo isto só de informação genética.

O conhecimento genético sobre o ser humano nos colocou diante de um mundo imenso de complexidade. Complexidade essa que não pode ser explicada apenas como “tendo acontecido espontaneamente”! Esta é a parte biológica e através dela contemplamos a beleza da “máquina humana”. Mas afinal, somos apenas “reações químicas” ou existe algo mais? O que dizer da nossa parte volitiva, intelectual e emocional? Da nossa mente? Na verdade, o que é o ser humano? O estudo da psique humana (psicologia) é a ciência que trata da mente e do comportamento do ser humano. Ela foi a grande ciência do século XX e tem sido a do começo do século XXI. Moldamos as nossas leis baseados nas suas “proposições”; moldamos a educação dos nossos filhos baseados nas suas “proposições”; moldamos o comportamento da sociedade, da família, dos indivíduos baseados nas suas “proposições”; moldamos a nossa religiosidade baseados nas suas “proposições”; …valores milenares foram alterados! Nenhuma outra ciência teve um impacto tão profundo na humanidade e em tão pouco tempo como a psicologia.

A psicologia, como as demais ciências, é profundamente orientada por um humanismo ateísta. Este humanismo diz que podemos em nós mesmos encontrar a solução para todos os nossos problemas e anseios. O humanismo diz que poderemos um dia dominar tudo e todas as coisas, tornando-nos perfeitos. O humanismo diz que um dia seremos como “deuses”. E a psicologia, através da roupagem científica, cuidadosamente nos tem dado razões para crer que isso é ou será possível. Não que existam provas e evidências científicas, mas baseadas uma vez mais no crer, pessoas são levadas a viver crendo que obterão as promessas feitas por esta pseudociência. Tais pessoas adentraram assim a uma religião de deuses humanos, buscando as grandes respostas sobre a mente e o relacionamento humano, como se tais respostas estivessem apenas dentro de cada um de nós. Fomos levados a crer que temos em nós mesmos a capacidade de “consertar” e melhorar, pois afinal estamos evoluindo e a raça humana hoje é apenas um estágio desta longa cadeia evolutiva de seres vivos. “O que não será a raça humana daqui a 10 milhões de anos? Pense no que éramos a alguns poucos milhões de anos atrás: meros hominídeos (meio primatas, meio seres humanos)”, dizem os cientistas. A psicologia, sem embasamento científico, dita quais são as regras de comportamento, de conduta, de moralidade, de cidadania e de tantas outras áreas da vida do ser humano, a qual, usando uma vestimenta científica, esconde a sua identidade religiosa. Pouco se questiona as proposições da psicologia. Diga-se de passagem que, se o mesmo padrão de questionamento usado para com a Bíblia fosse aplicado à psicologia (e com a mesma rigidez), esta há muito teria desaparecido. Na verdade, podemos entender porque o mundo, a Igreja, os seres humanos em geral estão tão fascinados pela religião da psicologia. Por havermos nos tornado adoradores dos deuses do absurdo e dos deuses impessoais, nos tornamos adoradores de nós mesmos. Nós nos tornamos o padrão de moral, de valores e de princípios. Nós, seres humanos, desesperadamente queremos nos tornar “deuses”.

Aqui também o criacionismo traz a proposta do Deus pessoal, que não somente criou o universo e a terra com o homem para nela habitar, mas que os criou com um propósito. Esse propósito se manifesta no relacionamento do Criador com a criatura e não somente da criatura com o meio físico e social. O criacionismo traz o absoluto da pessoa de Deus para todas as áreas, removendo o relativismo implantado por conceitos filosóficos. Não sou eu, nem a sociedade, nem os povos que têm a autoridade para definir o que é certo ou o que é errado: somente o Criador pode fazê-lo. E aqui o elemento fé uma vez mais se faz necessário. Quando alguém aceita a proposta da psicologia sobre como se deve viver (seja qual for a área de relacionamento, problema, doença, etc.), essa pessoa estará fazendo uso da sua fé no que lhe é proposto. Quando alguém aceita os princípios do Criador contidos nas Escrituras, ele também o faz pela fé. Portanto, a base continua sendo a fé. A pergunta que uma vez mais se destaca é: Por que alguém aceita os conselhos da psicologia e rejeita os padrões do Criador expostos na Bíblia?

Até quando coxeareis entre dois pensamentos? (1 Reis 18.21)

Cada vez menos, nós, o povo de Deus, temos ousado levantar as nossas vozes para dar a razão da esperança que há em nós (1 Pedro 3.15), por acharmos que a ciência tem provas e evidências conclusivas sobre a origem do homem e do universo. A grande verdade é que a ciência, além de não ter essas provas, também se apóia na crença das suas pressuposições, para estabelecer as suas “verdades”. Precisamos rever o que nós cremos e por que cremos no que cremos.
Qual a razão da nossa fé? Precisamos parar e começar a pensar cientificamente, como o fizeram muitos dos homens do passado. Em vez de aceitar, devemos questionar racionalmente até encontrarmos as respostas verdadeiras. A ciência exige uma causa para todo efeito...
A causa do sem fim é a existência do infinito (2 Crônicas 6.18);
da eternidade é a existência do eterno (Salmos 90.2);
do espaço ilimitado é a onipresença (Jeremias 23.24);
do poder é a onipotência (Isaías 40.25-26);
da sabedoria é a onisciência (Salmos 139.1-18);
da personalidade é o individual (Isaías 49.13);
das emoções é o emocional (Isaías 63.15);
da vontade é a volição (Apocalipse 4.11);
da ética é a moral (Deuteronômio 4.8);
da espiritualidade é o espiritual (João 4.24);
da beleza é a estética (Salmos 27.4);
da retidão é a santidade (Levítico 19.2);
do amar é o amor (1 João 4.8);
da vida é a existência (Êxodo 3.14).

Todos os créditos reservados para Adauto Lourenço. Publicado sob permissão do autor.

30/04/2015

Ed Motta

Nunca havia reparado muito no Ed Motta até esta recente polêmica sobre o comportamento dos brasileiros em seus shows na Europa.
Então resolvi conhecer melhor seu trabalho e realmente é um músico acima da média.
Assista!

28/04/2015

Entrevista com Nancy Pearcy - Parte 2

Casamento entre pessoas do mesmo sexo é desrespeitoso ao corpo humano, diz a Filósofa Nancy Pearcey.


Na primeira parte de sua entrevista ao Christian Post (leia aqui), Pearcey disse que escreveu o livro "Finding Truth", principalmente, com a preocupação de que os jovens cristãos não estão recebendo as ferramentas de que precisam para lidar com questões difíceis e, quando eles não têm essas ferramentas, são mais propensos a abandonar a fé.

Nesta segunda parte da entrevista, Pearcey foi convidada para demonstrar como aplicar esses princípios, abordando o tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

CP: Você diz que os cinco princípios que você aborda não são apenas para se comunicar com aqueles que estão fora da Igreja, mas dentro da Igreja, bem como porque a Igreja também pode ser influenciada por ideias não-bíblicas. Você pode ilustrar falando sobre a atual controvérsia do casamento homossexual? Como você usaria os princípios para pensar sobre as igrejas e os cristãos que acreditam que o casamento é também para casais do mesmo sexo?

Pearcey: Os secularistas afirmam que sua visão do casamento homossexual é uma expressão de respeito. Mas, surpreendentemente, a visão subjacente é realmente um desrespeito ao próprio corpo humano.

Em uma idade mais precoce, a natureza foi reconhecida como a criação de Deus, os propósitos de Deus expressos. Então, como nossos corpos são parte da natureza, o corpo humano também tem um propósito. A correspondência biológica entre macho e fêmea na reprodução é parte da criação original de Deus, sobre a qual Ele afirma ser "muito bom", algo plenamente bom, o que significa que nos fornece um ponto de referência também para a moralidade.

O que mudou nessa visão de propósitos da natureza? A Teoria da Evolução de Darwin, que se propôs expressamente a eliminar o conceito de finalidade ou de design na natureza. Esta visão não mudou apenas a maneira de enxergar a biologia, ela também causou uma mudança monumental no pensamento moral. Porque se a natureza já não trazia sinais dos bons propósitos de Deus, então ela também já não fornece uma base para as verdades morais. A natureza agora  era apenas uma máquina, movimentada por forças cegas e materiais.

O corpo humano também foi reduzida a um mecanismo moralmente neutro. Nossa identidade sexual já não fornece pistas sobre como estávamos destinados a viver. E, se a natureza nada revela sobre a vontade de Deus, então a natureza tornou-se um reino moralmente neutro onde os seres humanos pode impor sua vontade e preferências.

Este fundo é crucial para a compreensão do impacto da homossexualidade. Pense nisso desta maneira: Biologicamente e fisiologicamente, os machos e as fêmeas são claramente diferentes uns dos outros. É assim que a anatomia sexual e reprodutiva humana é projetado. Como conseqüência, engajar-se na prática homossexual requer que os indivíduos contradigam a sua própria anatomia, ignorando o projeto óbvio de sua fisiologia, para assim agir em oposição à sua própria biologia.

A implicação é que a biologia não importa.

Precisamos ajudar as pessoas a verem que esta é uma visão profundamente desrespeitosa de seu próprio corpo. Ela trata o corpo como não tendo qualquer propósito ou significado intrínseco, não dando nenhuma pista de quem somos como pessoas inteiras. Assim, a homossexualidade tem um efeito de auto-negação alienante e a fragmentação da personalidade humana.

Por outro lado, a visão bíblica respeita a nossa identidade biológica e, portanto, nos leva a uma integração holística da personalidade. Afirma a nossa integridade como pessoas encarnadas. A raiz da palavra integridade significa integrais, integradas e unificadas. Ou seja, nossas mentes e emoções em sintonia com o nosso corpo físico.

A correspondência biológica entre homem e mulher não é um acidente cósmico em um universo sem sentido. Essa diversidade primordial é parte da criação original que Deus que a afirma como "muito bom".

"Findign Truth" demonstra como a cosmovisão cristã não é verdade apenas para a realidade, mas que também concede um patrimônio superior da dignidade da pessoa humana, maior do que qualquer alternativa secular.

Entrevista original em:

Entrevista com Nancy Pearcy - Parte 1

Jovens cristãos falhando espiritualmente no mundo real porque grupos de jovens dependem demais de picos emocionais, diz Nancy Pearcey


(Tradução do texto original por Nielsen Tomazini)

A principal razão porque as pessoas abandonam o cristianismo é por questões intelectuais não respondidas. Mas muitas igrejas tratam a fé como uma experiência majoritariamente emocional, argumentou a filósofa Nancy Pearcey em entrevista ao The Christian Post. Seu novo livro, “Finding Truth” (Encontrando a Verdade): 5 Princípios para desmascarar o ateísmo, secularismo, e outros Substitutos de Deus”, oferece cinco estratégias práticas para ajudar os cristãos a pensarem sobre as questões que desafiam sua fé.

Pearcey é uma autora best-seller cujos trabalhos anteriores incluem Verdade Absoluta: Libertando o Cristianismo de seu cativeiro Cultural, e, em coautoria com Charles Colson e Harold Fickett, Como Agora Devemos Viver?

Seguindo o exemplo do apóstolo Paulo no primeiro capítulo de sua carta aos Romanos, Finding Truth fornece aos leitores uma progressão de cinco princípios para ajudá-los a identificar as ideias antibíblicas e articular uma resposta a essas ideias. Estes princípios são úteis tanto para falar com os não cristãos e para abordar ideias antibíblicas que se infiltraram na Igreja. Cada um dos capítulos ­chave lidam com um dos cinco princípios, e existe uma guia de estudo na parte de trás do livro.

Esses princípios são:
1. Identificar o ídolo.
2. Identificar o reducionismo do ídolo.
3. Teste o ídolo: Será que contradizem o que sabemos sobre o mundo?
4. Teste o ídolo: Será que ela se contradiz?
5. Substitua o ídolo: Defenda o cristianismo.

Em sua entrevista ao Christian Post (CP), Pearcey disse que o livro foi motivado, em particular, de uma preocupação para os jovens cristãos. Grupos de jovens da Igreja são muitas vezes bons em estabelecer um compromisso emocional, mas estão falhando com jovens cristãos intelectualmente. Os pais e os líderes da igreja precisam incentivar seus jovens a lidar com questões difíceis e ajudá-los a aprender a pensar por essas questões, ela argumentou, ou então eles vão ficar despreparado quando seus pontos de vista forem desafiados.

Christian Post: Por que você quis escrever este livro?
Pearcey: “Finding Truth” desafia a mentalidade de "Não pense, apenas acredite", seja na Igreja, na sala de aula, nos meios de comunicação, ou na política. Estudos mostram que a principal razão pela qual as pessoas abandonam sua criação cristã é por causa de questões intelectuais não respondidas. Os pesquisadores foram surpreendidos, pois eles esperavam ouvir histórias de problemas de relacionamento, com as pessoas dizendo que tinham sido machucadas ou emocionalmente feridas. Mas a razão dada na maioria das vezes por aqueles que se “desconverteram” é que eles não conseguiam obter respostas para suas dúvidas e perguntas.
Essa é a minha própria história também. Criada em um lar luterano, comecei a fazer perguntas na escola: Como podemos saber que o cristianismo é verdadeiro? É apenas uma muleta emocional? Nenhum dos adultos na minha convivência deu qualquer resposta. Perguntei a um professor da faculdade porque ele era um cristão, mas tudo o que ele disse foi: "Funciona para mim." Um reitor do seminário disse: "Não se preocupe, todos nós temos dúvidas, às vezes", como se eu estivesse apenas passando por uma fase psicológica.

Finalmente cheguei à conclusão de que o cristianismo não deve ter quaisquer respostas substanciais, então decidi colocá-lo de lado e embarcar em uma busca pela verdade. Depois de vários anos como uma agnóstica, eu finalmente tropecei no L'Abri, a obra de Francis e Edith Schaeffer na Suíça. Lá, pela primeira vez, eu conheci pessoas que ofereceram razões e argumentos que sustentam a verdade do cristianismo. Minha própria experiência me convence de que é importante levar as perguntas das pessoas a sério. Escrevi “Finding Truth” para ajudar outras pessoas que têm perguntas a encontrem respostas sólidas.

CP: Você teve um público específico em mente?
Pearcey: Estou especialmente preocupado com uma geração de jovens que não estão sendo preparados para os desafios de crescer em uma cultura secularizada. Recentemente, uma mãe me disse, com lágrimas nos olhos, que seu filho havia perdido a fé em uma universidade estadual. O adolescente era um estudante de psicologia e, desde Freud, a maioria das teorias psicológicas têm tratado o cristianismo como um sintoma de neurose, uma regressão infantil, uma projeção de uma figura paterna imaginária no céu. O estudante veio de uma família amorosa e forte na igreja, mas ele não estava preparado para a enxurrada de teorias e críticas que estava aprendendo na sala de aula. Em um semestre, ele havia abandonado sua educação cristã.

É aí que “Finding Truth” pode ajudar. Dispõe de uma estratégia de 5 partes derivadas de Romanos 1, que capacita as pessoas a pensarem criticamente sobre teorias seculares em qualquer área disciplinar. Paulo afirma que há um corpo de conhecimento que dá provas do mundo real sobre Deus, disponível para todos em todas as culturas e em todos os períodos da história ­ o que chamamos de revelação geral ­ que fornece uma maneira de testar visões de mundo. Por exemplo, todos nós temos consciência direta da natureza humana.

Porque os seres humanos são capazes de pensar, a primeira causa que nos criou deve ter uma mente. Porque os seres humanos são capazes de escolher, a primeira causa que nos criou deve ter uma vontade. Como um filósofo resume este conceito: porque um ser humano é uma pessoa e não uma coisa, a fonte da vida humana deve ser também um Alguém, não as forças cegas e automáticas da natureza, como nos é dito por filosofias como o naturalismo ou materialismo.

CP: Você escreve sobre as falhas da Igreja para ajudar os jovens a buscar respostas para perguntas difíceis. Qual a nota que você dá a Igreja americana sobre o tema da apologética?
Pearcey: A boa notícia é que nos últimos anos, os recursos de apologética se tornaram muito mais disponíveis. A má notícia é que muitas igrejas continuam a ignorar esses recursos, tratando o cristianismo como se fosse principalmente emocional.

Grupos de jovens raramente incentivam os jovens a lidar com perguntas difíceis. Em vez disso, o objetivo parece ser o de arquitetar eventos que provocam compromisso emocional. Mas intensidade emocional não é suficiente para bloquear perguntas. No mínimo isto leva os adolescentes a redefinirem o cristianismo em termos puramente emocionais ­ o que os deixa vulneráveis quando finalmente enfrentarem suas perguntas.

“Finding Truth” começa com a história de uma apresentação que fui convidada a dar no Capitólio, em Washington, DC. Mais tarde um chefe de pessoal do Congresso se levantou e anunciou a todos lá, "Eu perdi minha fé em uma faculdade evangélica". Como isso aconteceu? O funcionário explicou que seus professores ensinaram as teorias prevalecentes em seu campo, mas essas teorias são tipicamente seculares e às vezes explicitamente anticristã. Eles fizeram pouco ou nada para oferecer uma contra interpretação bíblica. O jovem até se reuniu com seus professores em particular, perguntando: "Como você se relaciona com as suas convicções teológicas para o que você ensina em sala de aula?". Ninguém pode lhe dar uma resposta.

Uma pesquisa da Coalizão de Colégios e Universidades Cristãs de 2007 constatou que apenas cerca de metade do corpo docente disse que eles poderiam dar uma perspectiva bíblica sobre o campo que ensinam. Então, uma característica única de “Finding Truth” é que ele oferece uma estratégia que pode ser aplicada em todos os campos, em cada profissão e na vida cotidiana também. Um dos meus alunos, escreveu: "O método da crítica que você ensina neste livro tem sido incrivelmente útil para mim, não apenas em minhas outras aulas, mas também na minha vida, ao ler livros e assistir filmes."

CP: Às vezes, em nossa cultura as pessoas crescem pensando que eles são cristãos apenas porque seus pais são cristãos e vivem em uma comunidade de maioria cristãos. Na Conferência Nacional de Apologética do Seminário Evangélico do Sul, em janeiro de 2015, Josh McDowell disse que os pais cristãos podem ajudar os filhos a desenvolver suas próprias convicções não respondendo às suas perguntas, mas respondendo a essas perguntas com mais perguntas. O que você acha desta sugestão?
Pearcey: A maioria dos adultos precisa aprender a fazer mais perguntas e ouvir mais. Mas isso não deve tornar-se uma maneira de evitar fazer o trabalho cuidadoso de encontrar respostas.
Quando fui para o L'Abri como uma agnóstica, eu fiquei impressionada com a forma como a equipe usou as minhas perguntas para me apresentar a um mundo de ideias mais vasto. Foi emocionante para descobrir que o cristianismo não se limita a uma esfera "religiosa" privada, mas na verdade dá respostas superiores às questões fundamentais que todo mundo enfrenta.

“Finding Truth” cita vários pensadores seculares que admitem que o cristianismo oferece respostas precisamente onde a sua própria visão de mundo falha. O falecido filósofo Richard Rorty foi reverenciado como o "filósofo da democracia", no entanto, ele admitiu que a sua própria visão de mundo não deu uma base para a democracia. Ele era um comprometido ateu e darwinista, mas segundo a luta darwiniana pela existência, o forte prevalecerá enquanto os mais fracos são deixados para trás. Então, claramente, a evolução não é a fonte dos direitos humanos universais. Em vez disso, Rorty reconheceu que este conceito veio da reivindicação cristã de que “os seres humanos são feitos à imagem de Deus." Assim, ele simplesmente pegou emprestado o conceito de direitos universais do cristianismo e chamou a si mesmo de um ateu "aproveitador, apropriador" (no original, free­loading).

Não é de admirar que Paulo, vivendo no meio do poderoso Império Romano, proclamou que ele não “se envergonhava" do evangelho (Rom. 1:16). O cristianismo é tão chamativo e tão atraente que adeptos de outras cosmovisões sempre se aproveitam das partes que mais gostam.


Leia a entrevista original em:



20/08/2014

Sobre a série Cosmos

Algum tempo atrás eu tive um papo muito interessante com um amigo agnóstico, o assunto em questão foi a nova versão da série Cosmos e a fé em Deus.
Em determinado momento meu amigo me perguntou se este tipo de programa não abalava minha fé, não me fazia ao menos questionar o que acredito. Respondi que esta fase já havia acontecido entre o fim da adolescência e o início da fase adulta, quando eu ainda dava crédito a teorias e teorias que eram mais belas como equações matemáticas do que como explicação concreta, funcionando mais como exercício de imaginação do que como resposta de fato. Hoje, em cada nova descoberta, eu só consigo ver a assinatura perfeita e inquestionável do seu Criador.
O fato é que muitos debates são feitos baseados somente em pressupostos teóricos, uma boa dose de empáfia e muita fé apenas na capacidade humana, como se hoje estivéssemos vivendo uma era em que todos os mistérios foram solucionados e a ciência possui a resposta para tudo. Falam desde Panspermia Cósmica até Teoria dos Multiversos com a certeza e confiança de quem chegou à resposta final, comprovada, empírica e inquestionável, quando na verdade ainda estão caminhando em direções pressupostas, no momento com mais carga filosófica do que dados comprovados, massageando o ego naturalista/humanista e, como consequência, gerando audiência de várias formas para os cientistas celebridades e suas instituições. Coloque-se aí a rebeldia contra Deus que todos carregamos em diferentes graus e temos o cenário pronto para a engrenagem girar.
E a série Cosmos é um exemplo acabado disso.
Visualmente perfeita, ela impressiona em um primeiro momento por sua beleza, mas possui a mesma profundidade de uma Superinteressante ou um programa do Discovery, exibindo desde informações descaradamente erradas até apresentação de teorias controversas como verdade absoluta. No fim ela cumpre bem seu papel de entreter, mas não pode ser levada a sério para quem, como eu, deseja ao menos ser bem informado, mesmo não fazendo parte da comunidade científica. Em suma a série entrega aquilo que deixa as pessoas à vontade, uma “realidade” onde Deus está morto e nada há além do que podemos estudar. Carpe Diem.
Já para mim, o que impressiona é o fato de nosso Universo ser tão perfeitamente ajustado em tantas variáveis cósmicas e subatômicas que é praticamente impossível que ele sequer exista. Se analisarmos então o ajuste fino que dá condições para que um planeta abrigue vida e que esta vida possa ser tão diversa quanto a que presenciamos na Terra, só é possível compreender que vivemos em um milagre absurdamente bem planejado.
Nós compreendemos intrinsecamente, lá em nosso âmago, que algo nos deu condições de estarmos aqui e, mais ainda, podermos estudar todas estas belezas através da Ciência. Um universo coeso, perfeitamente ajustado e observável, com diversos Padrões e Constantes. Você pode inclusive nomear estes fatos que nos trouxeram até aqui e nos sustentam como Acaso, Mãe Natureza, Forças Cósmicas ou como desejar.

Pra mim sempre será Pai.

14/04/2014

Opinião sobre o filme Noé (2014)

Este post é para meus amigos CRISTÃOS!
Se você não é cristão, por favor, nem perca seu tempo lendo. Será melhor para nós dois.
O filme do Noé gerou polêmica em vários níveis, mas vou me ater àquela entre cristãos que aplaudiram, vendo o filme como uma obra totalmente de ficção, enxergando onde há uma essência positiva da história original, e aqueles que o detestaram, por distorcer pontos fundamentais do relato bíblico.
Mas antes, minha opinião sobre o filme como obra cinematográfica: é bem fraquinho. Com construções de personagem mal feitas, relacionamentos forçados e direção de arte capenga. Se fosse uma obra original com certeza teria uma bilheteria pífia, mas embalado pela polêmica que sempre há quando tem a fé envolvida, recebeu muito holofotes e essa polarização de opiniões.
A partir de agora, se você for continuar lendo, gostaria que lesse até o final, para não interpretar erroneamente o que quero dizer...
Vai ler? Ótimo! Vamos lá!
Para mim, um dos grandes males do cristianismo atual é o relativismo/liberalismo e a maneira como é praticada e tão falada “defesa da fé”, a apologética cristã. Percebo que muitos já se perdem na própria definição disso, querendo defender dogmas, a igreja como associação e até Deus. Mas apologética é defender a doutrina contra distorções, heresias e más interpretações dos textos bíblicos, usando fundamentalmente a própria bíblia. Muitos erram pelos exageros e outras pela omissão.
E essas ações ficam ainda piores quando temos uma obra de ficção como “Noé”. Neste caso, como agir contra possíveis distorções? Afinal, o propósito ali não é ser bíblico, mas uma interpretação do diretor, é um entretenimento para todos, não para os que já caminham na fé.
A resposta é simples: não se defende! Apenas se explica o que a bíblia diz na oportunidade que aparecer. Sem "guerras santas" ou imposições.
É importante lembrar que o Evangelho sempre foi direcionado às pessoas, que a mensagem de Deus em ambos os testamentos sempre teve como foco o ser-humano. Mas quando um obra de ficção, com poder de atingir milhões de pessoas em todo mundo, pessoas que só conhecem a bíblia através da “memória cristã coletiva” e de versos jogados em redes sociais sem nenhum critério, faz-se necessário ao menos explicar sobre as incoerências entre o filme e o que a bíblia relata, auxiliando para que “a verdade” entre estas pessoas não acabe sendo o Noé hollywoodiano. E isso fatalmente acontecerá.
Enfim, para isso serve este texto, para mostrar que não há apenas “liberdade poética” neste filme, mas uma completa distorção de pontos fundamentais que podem ser prejudiciais ou uma oportunidade para apresentar a verdadeira mensagem deste relato.
1 – Vou começar por uma fala apenas, mas que é a síntese de toda a distorção do filme. O malvado Tubal-Caim, líder de um grupo bárbaro, faz um discurso histérico em determinado momento sobre “o homem ser superior aos animais e que estes não mereciam ser salvos, devendo servir aos homens em primeiro lugar”. O problema foi que em Gênesis 9:1-3 está escrito: "Deus abençoou Noé e seus filhos, dizendo-lhes: "Sejam férteis, multipliquem-se e encham a terra. Todos os animais da terra tremerão de medo diante de vocês: os animais selvagens, as aves do céu, as criaturas que se movem rente ao chão e os peixes do mar; eles estão entregues em suas mãos...". Ou seja, quem disse isso, mas de outra maneira (posso explicar sobre nosso papel de mordomos da criação em outra oportunidade), foi o próprio Deus! Mas no filme esta ideia saiu completamente DISTORCIDA da boca do mais asqueroso e malévolo personagem. Há como não sentir uma certa revolta após toda a construção dramática do filme? Quando se compara a narrativa com a realidade? Quantos incrédulos saíram (sairão) com esta impressão ao assistir o filme? Eu possivelmente sairia se não conhecesse meu Deus.
2 – Entendo que muitos amigos cristãos defendem a questão sobre as fontes de inspiração do diretor, que são diversos contos sobre um dilúvio universal presente em quase todas as culturas antigas, além do conhecido livro apócrifo de Enoque. Mas, exceto o tal Livro de Enoque, não existe alguém chamado Noé nos demais relatos, portanto, a base de tudo é sim a bíblia, todas as associações serão com a bíblia, de um jeito ou de outro. (Como curiosidade, Utnapishtim é o nome do personagem equivalente a Noé na famosa epopeia do rei Gilgamesh, que também fala sobre um dilúvio universal).
3 – Mas mesmo o filme sendo nomeado de Noé, não vi o Noé da bíblia em lugar nenhum. Não vi um homem íntegro, justo e que (ponto mais importante) ANDAVA com Deus, no sentido de ter um relacionamento íntimo com Ele. Vi um fundamentalista neurótico que apenas alucina sobre um criador, recebendo desta entidade alguns sinais confusos e vagos sobre uma grande catástrofe que está chegando. Sinais que precisam de interpretação de seu avô e de gigantes de pedra. Até sua nora/filha adotada dá seu pitaco sobre o motivo de Deus tê-lo escolhido. Ou seja, esse Noé não tem a menor ideia de quem é esse cara invisível que o mandou construir uma arca para salvar os animais do dilúvio, ele só suspeita quais seriam estes motivos, mas falha feio nessa interpretação...
4 – Portanto, segundo a interpretação deste Noé, esse criador quer salvar apenas os animais. O homem é tão mau e destruidor que não merece mais viver, inclusive ele e sua família. Não muito diferente da visão de muitos atualmente, que acreditam ser a raça humana um verdadeiro câncer para este planeta. É meio que uma linha de raciocínio lógica para uma pessoa que não conhece o plano de Deus, onde há Criação, Queda, Redenção e Restauração. Ela só pode constatar pelos fatos presenciados que a “raça dominante” é interesseira, mesquinha e destrói tudo o que encontra pela frente. Se não fosse o amor de Deus em nossas vidas e não houvesse o Seu propósito de restaurar toda a criação com a volta de Cristo, seria mesmo melhor para todos que fossemos eliminados deste planeta de uma vez. Mas Deus enviou seu único e precioso filho para redimir nossas vidas, preparando o caminho para uma completa restauração de Seus filhos e de toda a Sua criação. Este era o Deus que Noé de fato andava, cheio de amor, misericórdia, compaixão e sempre “roubando nos dados” a nosso favor, sempre trazendo de volta esse bando de “coraçõezinhos ruins”. Esta é a verdadeira mensagem de uma narrativa tão trágica.
5 – Mas voltando, como já comentei acima, no filme os humanos não importam, os animais valem muito mais. Vem o dilúvio e todo mundo morre. Aí há todo um embate mal feito dentro da arca e, no final, Noé simplesmente “passa” no teste de fé do Criador, teste que não faz o menor sentido analisando todo o conceito construído no filme. Enfim, o homem que na bíblia é escolhidos e amado por Deus, se mostra aqui um alucinado egoísta com baba na boca e que parte resoluto para esfaquear bebês inocentes por uma interpretação própria da “vontade do Criador”, como um fanático religioso qualquer dos dias atuais que não tem a menor ideia de quem seja Deus e é desprovido de qualquer sentimento de amor e respeito pelas pessoas. Isso pra mim é muito sério! Lamento por quem não viu a seriedade da mensagem desta cena (e da construção toda do personagem), muitas vezes se emocionando com a interpretação do Russel Crowe. Esse Noé simplesmente perdeu a coragem/motivação em um momento de emoção, não por conhecer a vontade de Deus e a importância daquela família para o Senhor. Eu teria medo de ser vizinho deste Noé, vai que o deus ausente dele o faz alucinar sobre meu filho ser o anticristo...
6 - Ou seja, o filme distorce a noção de “justo” e “justiça”, usando estes conceitos com ações opostas diversas vezes, distorcendo Noé e Deus para algo que eles nunca foram. Um prato cheio para as pessoas que já não tem ideia sobre quem é o Deus revelado na bíblia e O acusam por tanta maldade e injustiça em toda a Terra, inclusive aquelas praticadas contra a natureza. Para aqueles que julgam que o homem “tem força dentro de si mesmo” para fazer o bem e afastar-se do mal. Com tudo isso exposto é óbvio que elas serão levadas a uma interpretação distorcida da mensagem bíblica. A própria arca que na bíblia era um local de paz e cuidado de Deus em meio à tempestade, no filme se tornou a representação do horror: Violenta, escura, com ódio, raiva, desentendimentos e morte por todos os lados, um verdadeiro inferno flutuante, completamente distante da graça e amor de Deus e de um propósito de restauração.
7 – E por fim, sabe aquela cena que fez com que muitos se empolgassem no trailer, quando Tubal-Caim ameaça Noé dizendo que ele nada poderia fazer se os homens o atacassem por ele “estar sozinho” e então Noé diz firme “eu não estou sozinho”? Pois é, ele estava falando dos gigantes de pedra que levantam neste momento atrás dele! Não de Deus, que sequer levanta um dedo para ajudá-lo em algum momento. Mas no conceito do filme é isso aí. Deus não aparece, não se revela, apenas envia sinais confusos a um homem amalucado, afinal, é um deus distante e autoritário conhecido como Criador, sem personalidade ou compaixão. Essa cena é a sinopse perfeita do filme todo: Não existe Deus para Noé.
Paro por aqui.
Não entrarei nos demais detalhes como a pele da serpente do Éden, os anjos caídos, a ausência das mulheres dos filhos de Noé ou detalhes assim. Meu problema é com o todo, com a distorção da essência do relato.
Para mim a arca é a primeira representação da cruz de Cristo, onde Deus acolhe os salvos da vindoura destruição, com Seu amor e desejo de restauração de toda a criação, sendo o homem o motivo principal de Sua compaixão eterna.
Hoje estamos repetindo a sociedade da época de Noé, estamos caminhando a passos largos para sermos exatamente iguais. Por isso simplesmente não consigo ver com inocência essa obra, como “só mais um filme”.
Além disso não vi nenhuma mensagem de esperança ali, nenhuma mensagem de amor ou de restauração, nenhum eco sobre a poderosa ideia original, apenas uma salpicada dramática igual a qualquer filme que traz uma mensagem bonitinha no final, mostrando um homem que muda o próprio comportamento no último segundo por vontade própria.
Por isso fiz questão de escrever isso apenas aos cristãos. Para que tomem cuidado com o relativismo. Esteja atento com o que você apoia abertamente, pois pode influenciar alguém que não tem as mesmas bases que você. Nem tudo é só um filme, só uma música ou só uma opinião.
Cuidado também para não se tornar um fanático religioso como o Noé do filme, que passa por cima de tudo e todos, movido apenas por sua fé distorcida sem se importar com ninguém. Mas seja como o novo e perfeito Noé, Jesus, por meio de quem recebemos nova vida e a aliança definitiva. Aquele que nos protege durante os dilúvios deste mundo e um dia nos deixará em segurança sobre nova terra. Aquele que nos ensinou a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, inclusive quando estivermos defendendo nossa fé.
Leia a bíblia intensamente, não como uma obrigação religiosa diária, mas para conhecer profundamente o Deus que ali se revela na mensagem da cruz presente desde o livro de Gênesis. Ore, ande com Deus e fortaleça sua fé em Cristo Jesus, para que você faça a diferença em dias que serão cada vez mais sombrios, sendo luz nesta geração em tudo o que faz Mostrando aos queridos, com sua vida, a entrada da arca.
A tempestade está chegando...